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Estrutura
do Curso
resumo
detalhes
disciplinas

DETALHAMENTO DA ESTRUTURA DO MESTRADO
Mestrado em Gestão e Desenvolvimento Regional

O Mestrado em Gestão e Desenvolvimento Regional tem por objetivo propor uma visão multidisciplinar das relações entre o homem e o mundo socioeconômico que o envolve, bem como contribuir a para a promoção do desenvolvimento regional do Cone Leste Paulista. Os estudos desenvolvidos neste curso encontram-se na interface entre o mundo humano - o indivíduo e os grupos aos quais ele pertence - e o mundo produtivo, com sua racionalidade mecânica, e tratam da articulação e dos conflitos entre esses dois pólos. O Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional deve ser um profissional e pesquisador capaz de:

  1. Aplicar técnicas de planejamento que possam contribuir para promover o crescimento das empresas, com otimização na utilização dos recursos disponíveis utilizados no sistema produtivos e de serviços com ênfase na promoção do desenvolvimento local.
  2. Transcender sua formação básica para uma formação que permita uma visão e abordagem mais integrada da realidade avaliada, apreciada em suas diferentes dimensões e escalas de organização socioprodutiva, além de espírito crítico em suas análises. Essa formação deve conduzi-lo a exercer atribuições que o coloque no perfil de "diagnosticador" de realidades regionais inseridas em contexto produtivo e de desenvolvimento.
  3. Promover estudos sobre os modelos nacionais, regionais e locais de desenvolvimentos com ênfase nos arranjos produtivos locais (APL’s) com criação de valor, conhecimento e inovações continuadas como fomento da obtenção de um processo de desenvolvimento sustentável e de criação de riquezas tangíveis e intangíveis.
  4. Desenvolver e aplicar indicadores regionais de educação, saúde, emprego, renda, ciência, tecnologia e inovação complementados por indicadores locais de inteligência, imaginação, interatividade, entre outros que forneçam subsídios para ampliação dos estudos sobre o Indicador de Desenvolvimento Humano (IDH) e do Indicador de Qualidade de Vida (IQV) para uma avaliação da amplitude dos modelos que levam o local, regional e o País a uma rota de desenvolvimento pós-ideológico.
  5. Propiciar a integração ENSINO-PESQUISA-EMPRESA pela convivência e intercâmbio de idéias e conhecimentos de docentes e pesquisadores da UNITAU, jovens recém egressos de cursos de graduação e pós-graduação, profissionais oriundos das empresas da região e colaboradores de outras instituições de ensino e pesquisa.

O Programa possui duas áreas de concentração divididas em quatro linhas de pesquisas complementares e multidisciplinares que também se encontram subdivididas por projetos conforme descritos a seguir.

1ª Área de Concentração: Gestão de Recursos Socioprodutivos

A área de concentração compreende o desenvolvimento de ensino, pesquisa, consultoria técnica e extensão no campo do desenvolvimento humano, social, industrial e tecnológico no que se refere as relações entre o capital humano e industrial. Engloba o estudo das dimensões fundamentais do homem, indivíduo e ser social, e suas relações com o meio ambiente físico e cultural. Disso decorre sua abrangência essencialmente multidisciplinar envolvendo aspectos técnico-operacionais, econômico-financeiros, organizacionais, sociais, ambientais, éticos e científico-tecnológicos.
A preocupação com a análise do indivíduo, do comportamento e da cultura organizacionais insere-se na articulação entre os estudos desenvolvidos nas linhas de pesquisa desta área de concentração e aqueles da área de Planejamento e Desenvolvimento Regional. Duas linhas de pesquisas compõem esta área de concentração: Gestão de Pessoas e Relações Socioprodutivas (dedicada ao estudo e análise das pessoas, do comportamento e da cultura organizacionais) e Sistemas Produtivos, Operações e Inovação (dedicada ao estudo dos aspectos técnicos da atividade produtiva da organização).Linha de Pesquisa 1: Gestão de Pessoas e Relações Socioprodutivas
Esta linha de pesquisa aborda as relações do indivíduo nas organizações de trabalho e sociais das quais ele participa, interfere ou sofre alguma influência. Os estudos desenvolvidos buscam compreender o comportamento humano contextualizado nas diversas organizações sociais e de trabalho por meio de uma leitura microorganizacional (referindo ao estudo do indivíduo e suas habilidades e competências, entre outros aspectos), mesoorganizacional (referindo ao estudo das equipes, sua formação e obtenção de alto desempenho, entre outros aspectos) e macroorganizacional (referindo ao estudo das organizações e suas estruturas e atividades produtivas, entre outros aspectos).
Dentro desta perspectiva, as pesquisas elaboradas nesta linha preocupam-se com o estudo do comportamento humano nas organizações, do ponto de vista do indivíduo, do grupo e da organização e do contexto social onde atuam. Os temas desenvolvidos dentro dos projetos desta linha incluem a análise do comportamento e da cultura organizacional e de seus impactos na gestão empresarial, a socialização e a formação da identidade profissional, a promoção da saúde na organização e as estratégias de  desenvolvimento das competências  individuais, otimizando os resultados organizacionais. Esses temas refletem a visão multidisciplinar que se tem adotado no estudo da gestão das pessoas e das relações socioprodutivas. Os seguintes projetos  estão associados a esta linha de pesquisa:

P1- Projeto de Pesquisa em Saúde e Trabalho: este projeto incorporou parte das atividades efetuadas no projeto “Processos Comportamentais nas Organizações Sociais e de Trabalho”, encerrado em 2005. Essa nova proposição permitirá uma melhor definição de escopo, com enfoque nas relações de saúde do trabalhador e ambiente de trabalho. Dois aspectos principais são contemplados nesse projeto: Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) e estresse e estratégias de enfrentamento (Stress &Coping):

SP1 - Qualidade de Vida no Trabalho: as pesquisas nesta vertente visam a compreensão de situações individuais e coletivas no ambiente de trabalho com o objetivo de integrar o trabalhador ao seu meio. Do ponto de vista teórico, os estudos partem da constatação de que a QVT está associada fundamentalmente às características organizacionais (relativas à tarefa), ambientais (relativas às habilidades e expectativas) e comportamentais (relativas às necessidades), sendo apenas marginalmente afetada por atividades extra-laborais (atividades físicas, esportivas ou culturais) proporcionadas pela organização. Do ponto de vista metodológico, as pesquisas utilizam, num primeiro momento, instrumentos quantitativos de mensuração da QVT, em particular o Job Diagnostic Survey (JDS), desenvolvido por Hackman e Oldham, acrescentando-se, a seguir, técnicas qualitativas (entrevistas e grupos focais). Os estudos desenvolvidos aqui associam-se às pesquisas feitas dentro da outra vertente do projeto (estresse e estratégias de enfrentamento) e dentro do projeto de pesquisa em Relações Sociais e de Trabalho, particularmente os estudos sobre sentido do trabalho;

SP2 - Estresse e estratégias de enfrentamento: os estudos sobre estresse e as estratégias de enfrentamento ocupam-se das situações específicas de tensão física e emocional do indivíduo e das estratégias psicológicas que ele desenvolve para superá-las. Do ponto de vista teórico, as pesquisas buscam ultrapassar a visão do estresse como uma reação do indivíduo ou como um estímulo exterior, adotando o chamado modelo transacional do estresse, que o caracteriza como um processo complexo que implica na análise das interações entre o organismo e o meio ambiente. Trata-se de um modelo multidimensional do estresse, envolvendo aspectos físicos, cognitivos e emocionais. Os estudos sobre enfrentamento dirigem-se para a identificação de estratégias desenvolvidas pelo indivíduo para superar a percepção de impotência e mal estar diante de situações difíceis de lidar. Em especial, esse estudo dá destaque às ferramentas de mensuração dessas estratégias, que são menos desenvolvidas que os instrumentos de medida do próprio estresse. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa propõe o uso de escalas multidimensionais, como as Escalas Toulousaine de Estresse e Coping, desenvolvidas na França. Parte do trabalho consistirá na validação, para o Brasil, dessas escalas. Os estudos desenvolvidos aqui associam-se às pesquisas feitas dentro da outra vertente do projeto (Qualidade de Vida no Trabalho).

P2- Projeto de Pesquisa em Relações Sociais e de Trabalho: este projeto incorporou parte das atividades efetuadas no projeto “Processos Comportamentais nas Organizações Sociais e de Trabalho” e “Gestão Estratégica de Pessoas”, ambos encerrados em 2005, acrescentando novas perspectivas. Este novo projeto possui três sub-projetos, organizados em torno do tema das representações simbólicas da organização e do trabalho, e da perspectiva de evolução do indivíduo no ambiente de trabalho. Os estudos desenvolvidos no âmbito deste projeto passam pela análise dos processos de comportamento individual e coletivo nas organizações, tendo como eixo teórico comum as perspectivas da psicologia social e organizacional:

SP3-Sub-projeto de Pesquisa em Cultura nas Organizações: os estudos sobre Cultura e Organizações representam uma abordagem que transcende, em um certo sentido, o nível macroorganizacional, não apenas por ultrapassar as fronteiras da organização, abrindo-se para o ambiente externo, mas principalmente pela incorporação da cultura nacional no referencial de análise das organizações. O quadro teórico deste sub-projeto parte dos estudos de cultura organizacional de Hofstede e de Schein, reconhecendo a tensão entre eles. Busca, em seguida, incorporar a cultura nacional como elemento explicativo (mas não determinante) da cultura organizacional, ainda que tal influência seja minimizada nos modelos de Hofstede. Finalmente, busca responder às críticas da antropologia e da sociologia ao uso (ou mal uso) do conceito de cultura dentro das organizações. Do ponto de vista metodológico, as pesquisas se voltam inicialmente para a aplicação de questionários sobre valores, na linha do world value survey, e de cultura organizacional, na linha proposta por Hofstede. Em seguida, são trabalhadas entrevistas semi-estruturadas e técnicas de análise de conteúdo para analisar a cultura organizacional;

SP4 - Sub-projeto de Pesquisa em Representação Social, Identidade e Socialização: a representação social e suas associações com os processos de identidade e socialização respondem pelos aspectos fundamentalmente coletivos e contextuais, de posição e pertinência a um grupo. Juntamente com o sub-projeto de pesquisa em Cultura nas Organizações, representa a perspectiva mais ampla (macroorganizacional) dos estudos organizacionais, buscando a análise das representações simbólicas nos grupos e nas organizações. O modelo teórico adotado para o estudo das representações sociais é o do campo estruturante, desenvolvido por Serge Moscovici na Ecole des Hautes Estudes en Sciences Sociales (EHESS - Paris) e pelos pesquisadores da Universidade de Genebra (Suíça). Os estudos sobre identidade e socialização são desenvolvidos na perspectiva do interacionismo simbólico (Parsons e Hughes) e da construção social da realidade (Berger e Luckmann). A construção de uma identidade social (no trabalho), a partir de um processo de socialização profissional, e o processo de ressocialização do indivíduo preso são dois trabalhos em desenvolvimento dentro desse sub-projeto. De um ponto de vista metodológico, privilegiam-se as técnicas qualitativas (método biográfico e Grounded Theory), com entrevistas semi-estruturadas e análise de conteúdo;

SP4 - Sub-projeto de Pesquisa em Carreira e Habilidades Sociais: a preocupação com o desenvolvimento pessoal e profissional tem sido uma constante tanto por parte das empresas que querem manter os seus empregados, quanto dos indivíduos que necessitam manter sua empregabilidade. Portanto, planejar e administrar a própria  carreira passou a ser um fator que pode garantir o futuro profissional. Para que esse desafio seja atingido é necessário que a pessoa se conheça sob diversos aspectos, considerando suas potencialidades bem como suas dificuldades e limitações. Pela ótica empresarial, desenvolver um planejamento de carreiras deve levar em consideração, aspectos da organização do trabalho, estrutura administrativa e principalmente estratégias voltadas para a retenção do capital intelectual. Este projeto visa levantar junto às empresas do Vale do Paraíba Paulista, o modelo adotado para a gestão de carreiras e compará-lo com as expectativas e potencialidades dos profissionais das áreas de ciências humanas e exatas nos diversos momentos dos ciclos de carreira. Como aporte metodológico utiliza-se técnicas quantitativas e qualitativas de coleta e análise de dados, dentre as quais questionários, escalas, entrevistas e grupos focais.

 

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